Horóscopo chinês

Os doze signos do horóscopo chinês, um a um

Rato, Boi, Tigre, Coelho e os outros oito: o ideograma de cada um, os anos que lhe pertencem, o que a tradição lhe atribui e o que muda no Japão.

Os doze signos do horóscopo chinês, um a um

Doze animais, sempre na mesma ordem, repetindo-se a cada doze anos. É o sistema mais reconhecível da cultura asiática fora dela — e o que quase nunca acompanha as listas em português é o ideograma de cada um, que é onde a coisa fica interessante.

Antes da lista, um lembrete que vale para tudo o que vem abaixo: o ano do zodíaco não começa em 1º de janeiro. Se você nasceu em janeiro ou na primeira metade de fevereiro, confira antes em signo chinês: qual é o seu.

A tabela

Animal Ramo Leitura japonesa Anos
Rato 子 ne 1936, 1948, 1960, 1972, 1984, 1996, 2008, 2020, 2032
Boi 丑 ushi 1937, 1949, 1961, 1973, 1985, 1997, 2009, 2021
Tigre 寅 tora 1938, 1950, 1962, 1974, 1986, 1998, 2010, 2022
Coelho 卯 u 1939, 1951, 1963, 1975, 1987, 1999, 2011, 2023
Dragão 辰 tatsu 1940, 1952, 1964, 1976, 1988, 2000, 2012, 2024
Serpente 巳 mi 1941, 1953, 1965, 1977, 1989, 2001, 2013, 2025
Cavalo 午 uma 1942, 1954, 1966, 1978, 1990, 2002, 2014, 2026
Cabra 未 hitsuji 1943, 1955, 1967, 1979, 1991, 2003, 2015, 2027
Macaco 申 saru 1944, 1956, 1968, 1980, 1992, 2004, 2016, 2028
Galo 酉 tori 1945, 1957, 1969, 1981, 1993, 2005, 2017, 2029
Cão 戌 inu 1946, 1958, 1970, 1982, 1994, 2006, 2018, 2030
Porco 亥 i 1947, 1959, 1971, 1983, 1995, 2007, 2019, 2031

A coluna do meio merece explicação. 子 não significa rato — significa “criança”. 午 não é cavalo, é “meio-dia”. Esses doze ideogramas são os ramos terrestres, um sistema de contagem que veio antes dos animais e que continua sendo o esqueleto do calendário.

Os doze animais do zodíaco com seus ideogramas
O ideograma de cada signo não é o do animal: é o do ramo terrestre correspondente.

Um a um

Rato 子 — ne

Abre o ciclo, e a lenda explica por quê: chegou primeiro na corrida do Imperador de Jade, pegando carona nas costas do Boi e saltando na frente na última hora. A tradição lhe atribui esperteza, adaptabilidade e talento para guardar o que tem. No Japão o rato é mensageiro de Daikokuten, uma das sete divindades da fortuna — o que dá ao bicho uma conotação bem melhor do que a que ele tem no Ocidente.

Boi 丑 — ushi

O animal do trabalho agrícola, e o repertório vem daí: persistência, força tranquila, teimosia. Em japonês existe a expressão ushi no ayumi, “o passo do boi”, para o que avança devagar e não para.

Tigre 寅 — tora

Coragem, autoridade e impulsividade. O tigre nunca existiu no Japão, o que não impediu que se tornasse motivo constante na arte japonesa — pintado por artistas que só o conheciam de descrição e de pele importada, o que explica os tigres estranhamente gatunos da pintura do período Edo.

Coelho 卯 — u

Prudência, diplomacia, sorte. É o signo mais associado à Lua na Ásia inteira: onde o Ocidente enxerga um rosto na lua cheia, o Japão e a China enxergam um coelho socando bolo de arroz. No Vietnã este lugar é ocupado pelo gato, e a troca é antiga.

Dragão 辰 — tatsu

O único que não existe. Símbolo imperial na China, associado a poder, sorte e chuva — e de longe o signo mais desejado: em populações de origem chinesa, a taxa de natalidade sobe nos anos de Dragão e cai no ano seguinte. É uma das evidências mais diretas de que o zodíaco não é folclore inerte: ele muda o comportamento das pessoas.

Serpente 巳 — mi

Sabedoria, discrição, elegância. Diferente do Ocidente, onde a serpente carrega a carga bíblica da tentação, no Leste Asiático ela é próxima da água, da renovação e da riqueza — trocar de pele é imagem de recomeço, não de traição.

Cavalo 午 — uma

Energia, independência, inquietação. O ideograma 午 é o do meio-dia, e sobrevive em gogo (午後), “tarde”, literalmente “depois do meio-dia” — palavra que qualquer estudante de japonês aprende na primeira semana sem saber que está dizendo “depois do cavalo”.

É o signo de 2026, e não um Cavalo qualquer: um Cavalo de Fogo, que aparece a cada sessenta anos e tem história própria no Japão. Está em os cinco elementos e o ciclo de sessenta.

Cabra 未 — hitsuji

Gentileza, sensibilidade artística, recolhimento. Aqui há uma divergência de tradução que confunde bastante: o caractere 未 cobre cabra, ovelha e carneiro, e cada país escolheu um. A China costuma dizer cabra; o Japão, ovelha; o mundo anglófono discute isso a cada doze anos.

Macaco 申 — saru

Engenho, curiosidade, malícia. O macaco é onipresente na cultura japonesa, e o trocadilho é a razão: saru soa como -zaru, terminação negativa em japonês clássico. Daí os três macacos sábios de Nikkō — mizaru, kikazaru, iwazaru: não vê, não ouve, não fala. O motivo mais reproduzido do mundo nasceu de um jogo de palavras.

Galo 酉 — tori

Pontualidade, franqueza, orgulho. O galo anuncia o dia, e no Japão sua ligação com o amanhecer e com os santuários é forte — o torii (鳥居), o portal vermelho dos santuários xintoístas, tem no nome o mesmo tori de “ave”.

Cão 戌 — inu

Lealdade, honestidade, tendência à preocupação. No Japão, o cão é também símbolo de parto seguro: gestantes visitam santuários no dia do Cão do calendário para pedir bom parto, porque cadelas parem com facilidade. É uma prática viva, não folclore de livro.

Porco 亥 — i

Sinceridade, generosidade, tolerância. E aqui está a segunda troca de bicho: no Japão 亥 não é porco, é javali. A diferença muda o caráter atribuído — o javali japonês é o animal que corre reto e não desvia, imagem cristalizada na expressão chototsu mōshin (猪突猛進), “avançar de cabeça baixa”. Assunto de etō, o zodíaco japonês.

Duas trocas de animal, uma troca de data e um sistema de contagem que veio antes dos bichos. O zodíaco “chinês” que circula em português é, na verdade, uma versão só entre várias — e quase sempre a que menos explica o próprio funcionamento.

Sobre o que se perde quando a lista vem sem contexto

Diferenças entre o zodíaco chinês, o japonês e o vietnamita
Coelho ou gato, porco ou javali, cabra ou ovelha: onde os países divergem.

Como ler os traços de personalidade

Uma observação que este site faz questão de repetir. As descrições acima são o que a tradição associa a cada signo, e nada além disso. Não existe mecanismo conhecido pelo qual o ano de nascimento determine temperamento, e nós não vamos escrever como se existisse.

O que é real e interessante é o efeito social dessas crenças: a alta de nascimentos nos anos de Dragão, a queda de 1966 no Japão, os anos em que certas famílias evitam casar. As crenças não precisam ser verdadeiras para mudar o mundo — basta que as pessoas ajam de acordo com elas, e elas agem.

Continuando

Para saber a data exata em que cada ano abriu, Ano-Novo chinês. Para a origem dos doze e a lenda da corrida, de onde vieram os doze animais. Se você acha que não se parece nada com o seu signo, tem outros três. E se quiser comparar as combinações entre signos, a geometria da compatibilidade.

Quem escreveu

Emi Nakagawa

Nasceu em Osaka e mora no Brasil desde 2014. Escreve sobre cozinha, cotidiano, viagem e calendário japonês. Testa receita com ingrediente que se acha em mercado brasileiro, e conta também as partes chatas do Japão que os guias de viagem preferem não mencionar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *