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  • Como digitar em japonês no celular e no computador

    Como digitar em japonês no celular e no computador

    A pergunta aparece sempre com um tom de “deve ser complicadíssimo”: como é que se digita japonês, com mil e tantos ideogramas, num teclado normal?

    A resposta é mais simples do que parece. Você digita o som em letras latinas, e o sistema converte. O teclado é o mesmo. O que muda é um programa no meio do caminho — e a única parte que dá algum trabalho é sempre a mesma: escolher entre os ideogramas que soam igual.

    Como funciona

    O programa se chama IME, de Input Method Editor. Ele fica entre o teclado e o texto e faz três coisas em sequência:

    1. Você digita ni ho n em letras latinas.
    2. Ele converte na hora para hiragana: にほん.
    3. Você aperta espaço, e ele oferece as escritas possíveis: 日本, 二本, 日本 (como nome), にほん, ニホン.
    4. Você escolhe e confirma com Enter.

    Ou seja: o que você digita é a pronúncia, exatamente como um japonês faria. E a romanização aceita é a de Hepburn, que é a mesma que se vê em placa e legenda — o assunto de romaji.

    As etapas da conversão do teclado latino para o texto japonês
    Letras latinas viram kana automaticamente; o espaço abre a lista de ideogramas.

    Instalar no computador

    Windows

    1. Abra Configurações.
    2. Clique em Hora e idioma.
    3. Clique em Idioma e região.
    4. Clique no botão Adicionar um idioma.
    5. Digite japonês na busca, selecione 日本語 — Japonês e clique em Avançar.
    6. Clique em Instalar. Não é preciso marcar “Definir como idioma de exibição do Windows” — isso deixaria os menus do sistema em japonês.

    Depois de instalado, aparece um seletor de idioma perto do relógio. Alterna-se entre português e japonês com tecla Windows + barra de espaço.

    Mac

    1. Abra Ajustes do Sistema.
    2. Clique em Teclado.
    3. Em Entrada de texto, clique em Editar.
    4. Clique no botão + no canto inferior esquerdo.
    5. Escolha Japonês na lista da esquerda e marque Japonês — Romaji.
    6. Clique em Adicionar e depois em Concluído.

    A troca de teclado é com Control + barra de espaço.

    Linux

    A combinação mais comum é Fcitx5 com o motor Mozc, disponível no repositório de praticamente toda distribuição. Depois de instalar os dois pacotes, adiciona-se o japonês na configuração de métodos de entrada do ambiente gráfico.

    Instalar no celular

    Android

    1. Abra Configurações.
    2. Vá em Sistema, depois Idiomas e entrada.
    3. Toque em Teclado na tela e escolha o seu teclado.
    4. Toque em Idiomas e depois em Adicionar teclado.
    5. Busque japonês e escolha. Vale instalar as duas disposições: a de 12 teclas e a QWERTY.

    iPhone

    1. Abra Ajustes.
    2. Toque em Geral, depois Teclado.
    3. Toque em Teclados e em Adicionar Novo Teclado.
    4. Escolha Japonês. Selecione Romaji, Kana, ou as duas.

    Para alternar, toque no globo ao lado da barra de espaço.

    As duas disposições do celular

    No telefone existem dois jeitos bem diferentes de escrever japonês, e vale experimentar os dois.

    Romaji é o teclado QWERTY de sempre. Digita-se sakura e sai さくら. É o caminho natural para quem vem do português, e o que praticamente todo estrangeiro usa.

    Kana, a disposição de doze teclas, é o que a maioria dos japoneses usa. Cada tecla é uma linha do silabário — a tecla か cobre か, き, く, け, こ. Toca-se uma vez para か, duas para き, e assim por diante; ou arrasta-se o dedo na direção da vogal, que é mais rápido. Quem se acostuma escreve bem mais depressa do que em QWERTY, porque são menos toques por sílaba.

    O teclado de doze teclas parece um retrocesso até você perceber que ele foi desenhado para uma língua de sílabas abertas, onde cada toque corresponde a uma unidade real da fala. Ele não é o teclado antigo do celular: é um teclado silábico.

    Sobre por que os japoneses não migraram todos para QWERTY

    A parte que confunde: escolher o kanji

    Esta é a única dificuldade de verdade, e ela não some com a prática — só fica mais rápida.

    O japonês tem muitíssimos homófonos. Digite kouen e o IME vai oferecer 公園 (parque), 講演 (palestra), 後援 (patrocínio), 公演 (apresentação) e mais algumas. Todas se leem igual. Quem escolhe é você, e escolher errado produz uma frase que existe, que está escrita corretamente e que diz outra coisa.

    Três coisas ajudam:

    • Digite a palavra inteira, não sílaba por sílaba. O IME usa o contexto para ordenar a lista, e quanto mais texto você der, melhor ele acerta.
    • Leia a explicação lateral. Os IMEs modernos mostram uma nota curta ao lado de cada opção, dizendo o que aquele composto significa. Poucas pessoas reparam que ela está ali.
    • Confirme com Enter. Enquanto o texto está sublinhado, ainda é candidato e ainda pode mudar.

    É o mesmo problema descrito em por que um kanji tem várias leituras, visto do outro lado: lá o desafio é ler; aqui é escrever.

    Atalhos e comandos úteis do editor de método de entrada japonês
    Meia dúzia de teclas resolve quase tudo o que se precisa fazer no dia a dia.

    Os comandos que valem decorar

    O que fazer Como
    Converter para kanji Barra de espaço
    Ver mais opções Barra de espaço de novo, ou seta para baixo
    Confirmar Enter
    Forçar katakana F7 (Windows) — útil para nome estrangeiro
    Forçar hiragana F6 (Windows)
    Vogal longa ー Tecla do hífen
    っ pequeno Dobrar a consoante: kitte dá きって
    ん sozinho Digitar nn
    Kana pequeno solto Prefixo x ou l: xya dá ゃ

    O F7 é o mais útil para quem chegou aqui por causa de nomes: digite o nome em romaji, aperte F7 e ele vira katakana direto, sem passar pela lista de kanji.

    Alguns detalhes que pegam todo mundo

    • Pontuação diferente. O ponto japonês é 。e a vírgula é 、— e o IME os produz automaticamente nas teclas de ponto e vírgula. Usar “.” e “,” num texto japonês fica visivelmente estrangeiro.
    • Largura dupla. Existem duas versões de cada letra latina e número: a estreita e a de largura de ideograma (A, 1). Alterna-se com F9 e F10 no Windows. Em campo de formulário, escolher a errada às vezes dá erro de validação.
    • Espaço largo. No modo japonês, a barra de espaço produz um espaço de largura dupla. Em senha e em código, isso causa problema.
    • Não sei o kanji, sei o desenho. Todo IME tem um painel de escrita à mão: desenha-se o caractere com o mouse ou com o dedo e ele oferece os parecidos. Funciona melhor se a ordem dos traços estiver certa.
    • Dicionário de emoji e símbolo. Digitar kaomoji ou ya (seta) devolve símbolos. É como os japoneses inserem ★, →, ♪ e companhia.

    Se você só quer escrever o seu nome

    Instalar o IME para isso é trabalho demais. O caminho curto é usar a ferramenta de nome em japonês, que devolve o katakana pronto para copiar — e mostra a divisão silábica, para você saber o que está copiando.

    Se for para tatuagem, digitar você mesmo é bem melhor do que copiar imagem de busca: o caractere sai limpo, na fonte que você escolheu e em resolução que aguenta ampliação. As razões estão em tatuagem em japonês.

    Para entender o que é cada sistema de escrita antes de digitar, katakana e hiragana. E para o panorama de como um nome brasileiro chega ao japonês, seu nome em japonês.