Três coisas que se resolvem numa tarde de planejamento e que, mal resolvidas, atrapalham a viagem inteira. Nenhuma é complicada — mas todas têm uma resposta japonesa específica, diferente da que vale em outros destinos.
Internet
Você vai depender de internet mais do que imagina: mapa, horário de trem, tradução por câmera, endereço de restaurante. Não conte com wi-fi público — ele existe, mas é irregular e frequentemente exige cadastro.
eSIM
Um chip virtual instalado no seu próprio celular, comprado online antes de viajar e ativado na chegada.
A favor: nada para retirar nem devolver, funciona no instante em que o avião pousa, e é a opção mais barata para uma pessoa.
Contra: exige aparelho compatível — a maior parte dos modelos recentes é, mas vale conferir antes. E costuma ser só dados, sem número de telefone japonês.
Pocket wifi
Um roteador portátil alugado, retirado no aeroporto e devolvido na saída.
A favor: conecta vários aparelhos, o que sai barato para casal ou grupo, e funciona em celular antigo.
Contra: é mais um objeto para carregar e mais uma bateria para lembrar. E precisa ser devolvido, o que amarra a saída.
Roaming da operadora brasileira
Funciona, é a opção mais simples, e costuma ser a mais cara por dado trafegado. Vale para viagem muito curta ou para quem precisa manter o número brasileiro ativo.
A recomendação prática: sozinho, eSIM. Em dois ou mais, compare com o pocket wifi.

O cartão IC
Esta é a informação mais útil deste texto, e a que mais gente descobre tarde.
O cartão IC — Suica, Pasmo, Icoca e outros regionais — é um cartão pré-pago recarregável que funciona como bilhete de transporte e como carteira de trocados.
Com ele você:
- Passa em qualquer catraca de metrô, trem e ônibus, sem comprar bilhete e sem calcular tarifa.
- Paga em konbini, máquina de bebida, armário de estação, muitos restaurantes e boa parte das lojas.
- Usa em quase todo o país. Os cartões regionais são amplamente interoperáveis, então o de Tóquio funciona em Osaka.
No celular
Dá para adicionar o Suica direto na carteira do celular, sem cartão físico, recarregando pelo aparelho. É a solução mais prática que existe: você encosta o telefone na catraca e passa.
Há uma limitação a conferir: a compatibilidade depende do modelo e da região de origem do aparelho, e nem todo celular estrangeiro aceita. Teste antes de viajar — se funcionar, você resolveu transporte e trocados de uma vez.
Se não funcionar, o cartão físico se compra em máquina de estação e resolve igual.
Dinheiro
A fama de que o Japão só funciona com dinheiro vivo está desatualizada. Cartão é aceito em praticamente todo lugar relevante para turista hoje. Mas há exceções, e elas são específicas.
Onde ainda é dinheiro vivo:
- Templos e santuários — oferenda, amuleto, omikuji, tudo em moeda. Assunto de omamori e omikuji.
- Barracas de festival, sempre. Vale lembrar antes de ir a um matsuri.
- Restaurantes pequenos e antigos, sobretudo fora das cidades grandes.
- Armários de estação mais antigos.
- Mercados de rua e feiras.
- Ônibus locais em cidades menores.
Quanto levar: uma quantia moderada para os primeiros dias e reposição por caixa eletrônico. Não é preciso — nem recomendável — levar a viagem inteira em espécie.
Caixas eletrônicos
Nem toda máquina japonesa aceita cartão estrangeiro, e essa é a armadilha. As duas redes que funcionam de forma confiável:
- As máquinas dos correios (Japan Post Bank), presentes em todo o país.
- As máquinas de lojas de conveniência da rede 7-Eleven, que ficam abertas 24 horas e são as mais fáceis de achar.
Ambas têm menu em inglês. Vale avisar o banco antes de viajar para o cartão não ser bloqueado por suspeita de fraude — é um telefonema que evita um problema chato a vinte mil quilômetros de casa.
Aceite a regra e a exceção: cartão em quase tudo, dinheiro no templo e na barraca de festival. Ou seja — exatamente nos lugares em que você mais vai querer comprar alguma coisa por impulso.
Sobre onde o dinheiro vivo ainda decide
A conversão da maquininha
Um item pequeno que custa dinheiro de verdade.
Ao pagar com cartão, a maquininha pode oferecer cobrar em reais em vez de ienes. Parece cortesia e é armadilha: essa conversão é feita pelo estabelecimento, com taxa própria, e é sempre pior que a conversão da bandeira do seu cartão.
Escolha sempre pagar em ienes. Vale em qualquer país e é a economia mais fácil da viagem.

O celular, em detalhes práticos
- Tomada: o Japão usa dois pinos chatos, do mesmo formato americano, em 100 volts. Carregador de celular e notebook moderno aceitam sem problema; o que pode precisar de adaptador é aparelho com pino terra ou plugue brasileiro de três pinos.
- Bateria externa é praticamente obrigatória: você vai usar mapa o dia inteiro.
- Baixe os mapas offline da região antes, como seguro.
- Modo silencioso no transporte. Não é sugestão: é a regra social mais visível do Japão, explicada em etiqueta japonesa.
- Tradutor por câmera resolve cardápio, placa e rótulo. É a ferramenta mais útil da viagem depois do mapa.
- Aplicativo de horário de trem japonês vale mais que mapa genérico: eles dão plataforma, vagão e conexão exata.
Uma coisa que não é óbvia
Se o seu celular aceitar o Suica na carteira digital, configure isso antes de sair do Brasil, não no aeroporto de chegada.
O motivo é bobo e real: a configuração inicial às vezes exige verificação, e verificação exige internet — que você ainda não tem, porque acabou de pousar e ainda não ativou o eSIM. É um pequeno nó circular que já arruinou a primeira hora de muita gente.
A mesma lógica vale para o Visit Japan Web, o pré-cadastro de imigração descrito em visto para o Japão: faça em casa, com calma, e salve o QR code offline.
Resumo em seis linhas
- eSIM comprado antes, ativado ao pousar. Em grupo, compare com pocket wifi.
- Suica no celular, configurado antes de viajar. Se não der, cartão físico na estação.
- Cartão de crédito para quase tudo, com o banco avisado.
- Dinheiro vivo para templo, festival e restaurante pequeno.
- Saque nos correios ou na 7-Eleven.
- Pague sempre em ienes, nunca em reais.
Para o resto da preparação prática — a mala que se manda pelo correio, o armário da estação, o remédio que não pode entrar —, o que ninguém avisa. E para a ordem geral, planejar viagem ao Japão.

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