Quase tudo que circula em português sobre o Japão passou por pelo menos uma tradução, e frequentemente por duas: do japonês para o inglês, do inglês para cá. Cada passagem perde alguma coisa e inventa outra. Esta página explica o que fazemos para não repetir o erro dos outros — e o que fazemos quando repetimos mesmo assim.
De onde vem a informação
A regra é simples: quanto mais perto da fonte original, melhor. Na prática, a ordem de preferência é esta.
- Fonte oficial japonesa, em japonês. Ministérios, prefeituras, o Bunkachō para assuntos de língua e cultura, a Agência Meteorológica para calendário e estações, as operadoras de trem para preço e horário.
- Fonte oficial brasileira quando o assunto é o Brasil: IBGE para nomes e população, Itamaraty para documentação, ANPD para proteção de dados.
- Obra de referência: dicionários japoneses (não bilíngues de bolso), gramáticas, publicações acadêmicas sobre imigração japonesa no Brasil.
- Imprensa japonesa para o que é recente.
- Testemunho direto, identificado como tal. Quando alguém da equipe conta o que viu, o texto diz que é isso.
O que não serve de fonte: outro blog em português, tradução automática sem revisão, post de rede social sem origem, e aquele fato curioso sobre o Japão que todo mundo repete e ninguém sabe de onde saiu.
Números, preços e datas
Preço em iene muda, e o câmbio muda mais ainda. Quando um valor aparece num texto nosso, ele vem com a data de referência. Se você está lendo dois anos depois, o número está velho e o texto diz isso.
Regra, taxa e exigência de visto mudam por decisão de governo, às vezes com pouco aviso. Nesses assuntos sempre apontamos para a página oficial em vez de copiar o conteúdo dela — é a única forma de o leitor chegar à versão atual, e não à versão que estava valendo quando escrevemos.
Língua japonesa
Aqui a coisa é mais delicada, porque muita “regra” que circula é preferência de alguém.
Quando escrevemos que um nome fica de determinada maneira em katakana, isso vem de um conjunto de regras que está escrito, publicado e testado — e não de intuição. Onde a regra e o uso consagrado divergem, mostramos as duas formas e explicamos a diferença, em vez de escolher uma e fingir que a outra não existe. É o caso de nomes como Ronaldinho, que a imprensa japonesa escreve de um jeito e a pronúncia brasileira pede de outro.
Onde há discordância real entre especialistas, o texto diz que há discordância. “Os estudiosos divergem” é uma resposta honesta; inventar uma certeza não é.
Transliteração e grafia
Usamos o sistema Hepburn para romanizar o japonês, que é o mais difundido em português. Vogal longa aparece quando é relevante para a pronúncia (Tōkyō, Ōsaka), mas em nomes já incorporados ao português mantemos a forma consagrada — ninguém escreve “Tōkyō” no meio de uma frase sobre passagem aérea.
Sobrenomes nikkei são um caso à parte. O alfabeto português não marca vogal longa, então Satō virou Sato e Endō virou Endo na chegada ao Brasil. Quando tratamos desses nomes, mostramos os ideogramas originais e a leitura japonesa completa, sem “corrigir” a grafia que a família usa há gerações no documento.
Inteligência artificial
Não publicamos texto gerado por IA e apresentado como escrito por pessoa. Ferramenta automática pode entrar no processo — para varrer material, comparar versões, achar inconsistência —, mas o texto que vai ao ar é escrito e revisado por quem assina, e a responsabilidade pelo que está escrito é dessa pessoa.
Correções
Quando erramos, fazemos assim:
- Erro de fato (data, número, nome, tradução): corrigimos o texto e acrescentamos no rodapé uma nota com a data e o que mudou. Não apagamos o erro em silêncio.
- Erro de digitação ou frase confusa: corrigimos sem nota. Ninguém precisa de registro histórico de uma vírgula.
- Informação que envelheceu (preço, regra, horário): atualizamos e trocamos a data de referência.
- Texto que ficou errado demais para consertar: reescrevemos do zero, mantendo o endereço para não quebrar quem linkou.
Se você encontrou um erro, o caminho mais rápido é a página fale com a gente. Não é preciso ser educado nem trazer fonte — basta apontar.
Independência
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